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Caderno  Personalidades do Japão

Ano: 638 - 705
Nukada-no-Ookimi
Poetisa foi precursora de Murasaki Shikibu e de Sei Shonagon. Viveu amores livres das amarras sociais e deixou poemas escritos com maestria

(Ilustração: Claudio Seto)

Pouco se sabe sobre a maior poetisa do Manyôshû, a antologia de poemas escritos entre meados do século VII a meados do século VIII. Porém, os poemas de Nukada-no-Ookimi encantam até hoje os que apreciam uma boa leitura, por sua vibrante paixão pela vida, pelo seu amado e por sua forma de expressão, ora com energia, ora com sutileza.

A única referência sobre Nukada-no-Ookimi que consta no registro de história do Japão, o Nihon Shoki (concluído em 720), é a de que ela foi uma das concubinas do imperador Tenmu e que teve uma filha, a princesa Tôchi-no-Himemiko.

Vida e poesia

Nukada-no-Ookimi viveu numa época conturbada, em que o Japão se instituía como uma nação com a Reforma de Taika (em 645), iniciada pelo imperador Tenji e concluída pelo seu irmão, o imperador Tenmu (Ôama-no-Miko). Há indícios de que Nukada-no-Ookimi conquistou o coração não apenas do imperador Tenmu – com quem teve uma filha –, mas também do imperador Tenji.

No ano em que Tenji se tornou imperador, houve um grande passeio com a participação de toda a aristocracia. Nessa ocasião, Nukada compôs um poema que consta da antologia Manyôshû: Akane sasu murasakino iki, nomori wa mizu ya kimi ga sode furu (Num campo coberto por pequeninas flores violetas, o meu amado manda sinais agitando as mangas, furtando-se dos olhares vigilantes dos guardas). Ao qual, o então príncipe Ôama-no-Miko replica: Murasaki no nioeru imo o nikuku araba hitozuma yue ni ware koi me ya mo (Se não tivestes a beleza que rivaliza com as violetas, não estaria sofrendo tanto, mesmo sabendo que pertences a outro.)

Num outro poema de amor, este dedicado ao imperador Tenji, nota-se a angústia da espera da visita do amado: kimi matsu to waga koi oreba waga yado no sudare ugokashi aki no kaze fuku (Quando pensava em meu amado, a brisa balança a cortina de bambu). Trata-se do poema de uma mulher apaixonada, que fica radiante ao som da cortina balançando ao sabor da brisa, confundindo-o com a chegada do amado.

Embora ela tivesse uma vida glamorosa, irradiando beleza e talento, Nukada-no-Ookimi teve seu quinhão de sofrimento. Sua filha, a princesa Tôchi, que se casou com o príncipe Ôtomo, filho do imperador Tenji, teve que suportar a perda do seu marido, pois o príncipe, ao disputar o trono com Ôama-no-Miko, pai da princesa Tôchi, foi levado ao suicídio. A princesa Tôchi faleceu ainda jovem, com pouco mais de 30 anos.

Nukada-no-Ookimi, precursora das grandes literatas da Era Heian, como Murasaki Shikibu (autora de Genji Monogatari) e de Sei Shonagon (autora de Makura-no-sôshi), viveu amores livres de amarras sociais e deixou muitos poemas nos quais descreve com maestria os sentimentos vividos por aqueles que amam verdadeiramente.

 
O poema que elevou os ânimos dos soldados
Nukada-no-Ookimi deixou muitos poemas de amor, mas um de seus trabalhos mais famosos é o que ela compôs em Nigitazu (cidade de Matsuyama, província de Ehime), quando a esquadra da corte Yamato aguardava o momento proprício da maré para ir à luta na Coréia: Nigitazu ni funanori sen to tsuki mate ba shio mo kanainu ima wa kogi ide na (Ao aguardar a lua em Nigitazu, a maré mostrou-se propícia. Eis o momento para singrar!)

* Esta página foi produzida pelas professoras Akiko Kurihara, Hiroko Nishizawa e Kurenai Nagahama. Tradução: Akiko Kurihara, Clara Kazuko Sakai e Arísia Noguchi.

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