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Caderno Entrevista

Débora Tavares

Um haicai

fim da chuva
espelha o céu
a poça d’água

(Débora Tavares)

(Texto: Suzana Sakai/NB | Fotos: Arquivo Pessoal)

A haicaísta Débora Tavares é um dos destaques da vida literária de São Paulo. Graduada em Letras, ela ministra oficinas de haicai e possui poemas de sua autoria publicados em diversos veículos literários.

O bom trabalho de Débora tem sido cada vez mais reconhecido, elevando o haicai a posições importantes dentro do cenário literário brasileiro.

A equipe do Zashi decidiu descobrir um pouco mais sobre essa haicaísta, confira!

Entrevista
Zashi: Como surgiu o seu interesse pelo haicai?
Débora Tavares:
Na adolescência, lia muito Paulo Leminski. Chamava-me a atenção a concisão de seus poemas. Mais tarde, vim saber que ele era também tradutor e conhecedor de haicais. Anos depois, uma oficina de Cláudio Daniel (poeta) apresentou-me formalmente ao haicai.

Zashi: Que tipo de contato você possui com a cultura japonesa?
Débora:
Meu contato mais próximo é com o haicai. A idéia de ministrar oficinas de criação de haicais me levou a estudar e conhecer melhor a cultura oriental, cuja arte me encanta como um todo, especialmente a pintura sumiê, que busca a essência dos objetos, dando mais importância à sugestão do que à descrição, e também a pintura contemporânea de Yoshiro Tachibana.

Zashi: Você já foi ao Japão? Possui planos de visitar o país?
Débora:
Infelizmente, nunca estive no Japão. Pretendo um dia conhecer os templos e toda a paisagem que a poesia japonesa me desperta na imaginação.

Zashi: Você participa de algum grêmio de haicai, ou possui alguma outra espécie de contato mais próximo com esse universo?
Débora:
Embora conheça um pouco do trabalho de grêmios, como o Haicai Ipê, meu contato mais próximo é realmente pelas oficinas, que, para mim, são momentos muito prazerosos, de partilha da poesia.

Zashi: O que você poderia observar sobre a poesia oriental e ocidental?
Débora:
A poesia oriental, citando o haicai, tem como uma das características a concisão e aí dialoga com a poesia ocidental. Porém, o haicai, fundamentado pela filosofia zen-budista, retrata um momento em que o homem isenta-se de si mesmo para contar um instante do cotidiano, da natureza, da paisagem e este não é um exercício tão fácil para os ocidentais.
A linguagem do haicai é simples e clara, como a linguagem infantil. Já a poesia ocidental prima pela metáfora, pela escolha precisa da palavra – este é um grande desafio para nós, poetas ocidentais.

Zashi: Você fala japonês?
Débora:
Não falo japonês, embora tenha curiosidade. Gosto muito dos ideogramas, da arte dessa grafia concisa e rebuscada.

Zashi: Cite seus autores prediletos da prosa e poesia japonesa.
Débora:
Da poesia japonesa, meus preferidos são Matsuo Bashô e Kobayashi Issa. Estou inaugurando minha leitura de prosa japonesa com Yasunari Kawabata – linguagem riquíssima em detalhes e imagens.

Zashi: Quais são seus planos futuros?
Débora:
Publicar meu livro de poesia. Não é fácil publicar poesia, especialmente o primeiro livro, mas, como a vontade é grande, quem sabe possamos nos encontrar em breve no lançamento!

 
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