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Zashi -
Atualmente, você pesquisa sobre os princípios do Aiki na
dança. Fale um pouco sobre como surgiu essa idéia e que
tipo de vivências você tem conquistado com essa pesquisa?
Letícia Sekito - Desde 2002, tenho treinado a Respiração
pelas solas dos pés (Sokushin kokyu-hô), com orientação
do meu professor de Aikidô, o sensei Ivan Okuyama, da APA
Associação Pesquisa de Aikidô. Em 2004, no processo
de criação do solo Disseram que eu era japonesa (2004),
resolvi, entre outras coisas, testar no meu corpo uma técnica genuinamente
japonesa para ver se havia alguma afinidade entre a prática
e o meu corpo. Desde então, o trabalho da Respiração
e do Aikidô passaram a ter papel central na minha preparação
corporal para a dança.
Zashi -
Desde 2004, você recebe o apoio da Fundação Japão
em suas pesquisas. Como surgiu o seu interesse pela cultura japonesa?
Letícia - A questão da minha identidade cultural e a
minha relação com a cultura japonesa não foi algo
que escolhi trabalhar espontaneamente. Acho que foi ao contrário.
Digo isso porque houve um momento que muitas pessoas comentavam que, na
minha dança, apareciam elementos japoneses. As pessoas me perguntavam
se eu fazia Butô (uma corrente da dança moderna experimental
de dança japonesa pós-guerra), e o ambiente sociocultural
brasileiro estava também contaminado dos questionamentos e da mensagem
de estímulos à produção artística genuinamente
brasileira. A professora doutora Christine Greiner foi e continua
sendo uma pessoa muito importante no decorrer do meu processo artístico.
Foi por meio de suas palestras, encontros e conversas na Fundação
Japão, por exemplo, que comecei a ter um panorama da arte contemporânea
japonesa, a saber de pesquisas e artistas que refletem sobre o corpo e
a cultura japonesa.
Zashi -
No espetáculo Disseram que eu era japonesa, você propõe
uma reflexão sobre a identidade cultural dos nipo-brasileiros.
Para você, o que significa ser nipo-brasileira?
Letícia - Bom, no Disseram que eu era japonesa, eu parto da
minha relação autobiográfica para ampliar a discussão
às pessoas de como nós, brasileiros, construímos
a imagem/realidade do Japão e da cultura japonesa.
Ser nipo-brasileira, hoje, deve ser bem diferente do que era 50, 30 anos
atrás. Hoje, o Japão está na moda, o Japão
está na nossa cozinha, nos nossos eventos sociais, na TV, na internet.
Para mim, sobretudo agora, que fui pela primeira vez ao Japão em
março/abril de 2008, ser nipo-brasileira não é algo
estático, definido e determinado, é uma constante descoberta
e constante construção.
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